Pra quem quiser me visitar....
  • Privilégio no menu do dia
  • yam'Tcha, em Paris: no tempo da delicadeza
  • A Casa do Porco Bar: Jefferson Rueda finalmente em casa
  • De São Bartolomeu a Belo Horizonte: Minas Gerais, antídoto contra a superficialidade
  • Uma nova geração de padeiros no Rio de Janeiro: Araucária Pães Artesanais e Maison do Zé
  • Provence: o mercado de Saint-Rémy
  • Curiango Venda e Cozinha: uma bela história de êxodo urbano na Serra da Bocaina
  • Aïoli no Bistrot du Paradou
  • “Redefinindo Sustentabilidade”: Parabere Forum chega à terceira edição debatendo a igualdade de gênero na gastronomia
Quarta, 06 Dezembro 2017

Monã e Parador Hampel: turismo gastronômico com inteligência na Serra Gaúcha

Andando pelo centro de Gramado, um dos destinos mais populares do Rio Grande do Sul, eu me questionava a respeito da peculiaridade daquele lugar. Um em cada dois restaurantes é especializado em fondue. Por todo lado, lojas de chocolate de baixa qualidade e gosto duvidoso. Pra quem vai a esta parte da Serra Gaúcha em busca de Brasil, e não um arremedo de Suíça, um estranhamento pode se instalar. Mas há esperança.

Ganhar as estradas e percorrer a zona rural talvez seja a forma mais eficaz de escapar aos estereótipos que impregnam o turismo mais convencional na região. No fim de semana que passei recentemente nos arredores de Gramado e Canela, houve dois lugares onde vislumbrei inteligentes alternativas às velhas fórmulas: na Monã, interior de Canela, e no Parador Hampel, em São Francisco de Paula. Ambos oferecem experiências em que a gastronomia se manifesta como expressão da cultura da região.

Sede do convívio Slow Food Serra Gaúcha, a Monã é um lugar inspirador, onde frequentemente se realizam almoços abertos ao público nos fins de semana. No sábado em que estive ali, o proprietário, Daniel Castelli, comandava a parrilla, enquanto a cozinha se encarregava de um extenso cardápio: pães de produção própria, geleias, queijos locais, saladas, vegetais grelhados, ragu pra acompanhar polenta feita com milho branco e milho crioulo.

Devo observar que, à exceção das excelentes linguiças que nos foram servidas, todas as carnes que experimentei estavam além do ponto, o que pode decepcionar aqueles que alimentem alta expectativa quanto ao churrasco gaúcho.  Feita esta ressalva, foi um gostoso almoço num cenário especial, onde a natureza e a cultura local são protagonistas.

Após a refeição, fiz uma longa caminhada pela propriedade, que começou entre pés de bergamota e se encerrou com uma visita ao galinheiro. Não havia vontade de ir embora.

O mesmo prazer senti no Parador Hampel, hotel fundado por alemães no século XIX, que foi comprado e reinaugurado no ano passado pelo restaurateur Marcos Livi – que, apesar de viver em São Paulo, tem raízes em São Francisco de Paula, terra onde nasceu.

Embora haja na propriedade um restaurante de funcionamento diário, domingo é o dia mais interessante pra uma visita, pois é quando costumam acontecer os almoços intitulados A Ferro e Fogo.

As boas-vindas são dadas com delicioso choripan preparado na hora. No bucólico pátio do casarão histórico, acontece o espetáculo do fogo de chão – a ressalva, uma vez mais, ficou por conta das carnes, muito passadas, à exceção do impecável galeto.

Na bela cozinha, sobre um antigo fogão, diversos pratos preparados pela dupla de cozinheiros que comanda o dia a dia da casa: saladas, arroz de carreteiro, feijão, abóboras assadas, polenta frita.

Assim como aconteceu na Monã, o Parador Hampel me proporcionou a satisfação de uma experiência que vai além da comida e tem o claro propósito de valorizar a cultura local. Vislumbrei ali um Rio Grande do Sul que não quer ser Europa. Ao contrário, absorve e digere suas múltiplas referências, inclusive, naturalmente, aquelas trazidas pelos imigrantes, mas transforma tudo isso em algo em que possamos nos reconhecer.

Monã Vivênciashttp://mona-cea.com.br/home/

Parador Hampel –  http://www.paradorhampel.com/

Comentários:
em 08-12-2017
por: Camila Bazotti
Gostei muito do artigo em referência à Serra gaúcha. Porém gostaria de observar um fato: as carnes de churrasco, no tradicional churrasco gaúcho, são normalmente mais assadas. É costume nosso mesmo. É assim que se come churrasco por aqui. Somos ensinados por nossos pais e avôs, geração por geração, churrasco no ponto é um churrasco de "carne passada" para os demais kkkkk.... Obrigada por dividir conosco tais experiências. Vou acompanhar mais o blog.
em 11-12-2017
por: Constance
Olá, Camila. Obrigada pela visita e pelo comentário.
Sei que o gaúcho gosta de carnes mais passadas, mas tenho a impressão de que as carnes que experimentei estavam passadas demais mesmo pro padrão gaúcho...
Um abraço,
Constance
em 05-01-2018
por: Murilo Gagliardi
Excelente texto, Constance. Parabéns! Gostaria de saber a sua opinião sobre o meu portal de gastronomia (www.saboravida.com.br). Será uma honra. Abração!
em 19-02-2018
por: Andre
Boa ideia ir além de gramado

Um conselho de gaúcho: Não coma churrasco na serra. Lá Aproveite a excelente culinária imigrante Italiana e Alemã.

Churrasco coma na campanha... na fronteira.
Deixe seu comentário:
© 2012 Pra quem quiser me visitar - Todos os direitos reservados - Design de Branca Escobar

Envie para um amigo:

*
*

Fale comigo:

*

Assinar Newsletter:

Remover email: