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Terça, 20 Junho 2017

Barcelona: uma cidade, muitas fomes

Barcelona

Na última passagem por Barcelona, percebi que há quase uma década venho seguindo um ritual em todas as visitas à cidade: ao chegar, a primeira refeição acontece invariavelmente no Cal Pep, um dos meus balcões favoritos no mundo.

Em março, quando lá estive pra acompanhar a terceira edição do Parabere Forum, não foi diferente. Deixei a bagagem no hotel e segui imediatamente pra Plaça de les Olles, sabendo exatamente o que desejava comer: almejas, croquetas, tortilla – a melhor de que tenho notícia. Ali, a memória jamais me traiu: à minha espera, sempre o mesmo ambiente vibrante, a mesma comida impecável, tudo intensificado pelo prazer do reencontro.

Cal Pep Barcelona

Cal Pep Barcelona

Cal Pep Barcelona

Com a saudade remediada no almoço, eu me permiti tomar novos rumos no jantar. Fui conhecer a Bodega 1900, bar onde Albert Adrià homenageia as tradicionais bodegas. Faz isso à sua maneira, o que significa dizer que instalações, serviço e cozinha estão além do que se poderia esperar de um “boteco”.

Barcelona Bodega 1900

Barcelona Bodega 1900

Ao longo de um par de horas, sem me dar conta, eu me indagava se o celebrado bar de Adrià era capaz de me proporcionar tanto prazer quanto o bom e velho balcão predileto. A resposta era vacilante. As croquetas da Bodega 1900, por exemplo, jamais resistiriam a tal comparação. O mesmo se diga dos grãos de bico com polvo e pé de porco. Já o pan con tomate da casa, delicado e crocante, era imensamente superior a boa parte dos exemplares que já experimentei nos bares catalães. Uma lição de como o simples se agiganta quando executado com maestria. Comi quatro deles e comeria outros mais se a prudência não me houvesse impedido. A mesma superioridade se evidenciava na oferta de sobremesas. A tarta de queso, acompanhada de sorvete de baunilha, era especialmente boa, um veludo.

Barcelona Bodega 1900

Barcelona Bodega 1900

Barcelona Bodega 1900

Barcelona Bodega 1900

Ao fim da noite, a dúvida se instalou: fazia sentido a comparação? Seria necessária ou ao menos útil? Naquele momento me pareceu apenas um exercício tolo, estéril. Por que ceder a ele, se os desejos que nos movem são tão cambiantes, se nos levam a diferentes escolhas, dependendo de nosso estado de espírito ou de tantas outras circunstâncias? Por que limitar as possibilidades se a cidade as amplia? A sorte de estar num lugar como Barcelona, capaz de saciar tantas e diferentes fomes, há de ser celebrada somando, não subtraindo.

Cal Pep - Plaça de les Olles, 8

https://www.calpep.com/

Bodega 1900 - Carrer de Tamarit, 91

https://www.bodega1900.com/

Quinta, 04 Maio 2017

Aïoli no Bistrot du Paradou

Le Bistrot du Paradou

Instalado num belo casarão em Maussane-les-Alpilles, um desses vilarejos provençais que parecem perdidos no tempo, o Bistrot du Paradou é o tipo de restaurante que vale a viagem. Peço desculpas pelo clichê, mas aqui ele se justifica, pois me refiro a uma experiência que dificilmente se poderia reproduzir em outro lugar.

Le Bistrot du Paradou

Le Bistrot du Paradou

O menu único inclui entrada, queijos e sobremesa, além do prato principal, que varia a cada dia da semana. Minha visita aconteceu numa sexta-feira, dia de aïoli, a maionese rústica de alho que é receita típica da região.

Le Bistrot du Paradou

Eu poderia falar sobre a deliciosa salada de tomates, cebolas, pimentões, anchovas em conserva e azeitonas pretas, que já nos aguardava sobre a mesa quando chegamos. Havia ainda pães recém-assados, azeitonas verdes das proximidades de Orange e azeite A.O.P. produzido ali mesmo, em Maussane. Comer local é coisa séria naquelas paragens.

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Sem dúvida, devo falar sobre o aïoli, feito com o mesmo azeite que acompanhava a salada. De sabor profundo, embora extremamente delicado, nele mergulhamos cenouras, couve-flor, batatas, ovos cozidos, bacalhau e escargots.

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Poderia ainda ressaltar que as sobremesas ficam muito aquém dos pratos. Mais vale abrir mão delas e encerrar com a excelente seleção de queijos da casa. 

Bistrot du Paradou

Bistrot du Paradou

Mas, acima de tudo, é sobre a atmosfera daquele lugar que preciso falar. O aïoli no Bistrot du Paradou, mais que uma refeição, é uma celebração. Uma festa. Nas grandes mesas, grupos tagarelavam, riam e até cantavam. Meu almoço ali foi daqueles momentos em que se vislumbra na comida um instrumento de verdadeira comunhão.

Le Bistrot du Paradou

Le Bistrot du Paradou - 57, av. de la Vallée-des-Baux – Maussane-les-Alpilles

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