O poético Mercado do Bolhão, no Porto

Janeiro 2014

Mercado do Bolhão

Aonde quer que eu vá, algum mercado há de cruzar meu caminho. Dos tantos que visitei no ano passado, de Paris a Cusco, de Barcelona a Belo Horizonte, um dos que mais me marcaram a memória foi o centenário Mercado do Bolhão, no Porto.

É evidente a degradação do espaço. Mas me parece indiscutível a beleza que habita suas galerias, que, se não me engano, completam cem anos de existência em 2014. Não me refiro apenas a seu valor arquitetônico, mas à  beleza da vida acontecendo em seus corredores, real, sem maquiagem. O Bolhão me soa como uma grande dama que envelheceu sem se submeter a intervenções que decerto lhe dariam um sopro de leveza e renovação, mas possivelmente levariam embora a verdade de suas marcas.

Pra mim, que vislumbro alguma poesia nas coisas que o tempo desbota, foi um imenso prazer andar por ali. Admirar os detalhes da construção e imaginá-la em outros tempos. Parar em cada banca, observar as pessoas. Comprar cerejas. Comer sardinhas, rissóis de camarão e pastéis de bacalhau. Naturalmente, não foram os melhores que já experimentei. Mas, naquele momento, nem precisavam ser.

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Mercado do Bolhão

Pra quem tiver interesse em fazer uma viagem às entranhas do Mercado do Bolhão, sugiro uma visita a este site do fotógrafo Ramón Ruiz, que descobri por acaso. Com cinco galerias de fotos, é um mergulho profundo na alma do decadente, mas imensamente poético mercado.

por: claudiagsimoni@gmail.com em 14-01-2014
Constance, também amo visitar Mercados, assim como você.
Estive no ano passado, neste do Porto e como vc bem o disse a beleza arquitetônica é indiscutível.
Eu sai de lá com o coração apertado pois senti tão visível a decadência, fiquei ali imaginando como já deveria ter sido um dia, nos tempos de glória. Foi para mim muito triste, queria ter ficado com outro carimbo em meu coração...
Cláudia
por: Alhos, Passas & Maçãs em 15-01-2014
Lindo texto, Constance.
por: Antonio Carlos em 15-01-2014
Constance,
Estive no mercado do Bolhão em abril de 2013 e também achei muito bonita a arquitetura do lugar, mas também lamentei o nível de degradação do local.Creio que seria possível restaura-lo mantendo as suas características. Porém com a atual situação econômica do país, acho difícil que ocorra no curto prazo. Também adoro mercados, e não os deixo escapar nas minhas viagens.
Antonio Carlos
por: Constance em 15-01-2014
Alhos, obrigada.

Cláudia e Antonio, também torço pra que surja um projeto de restauração que possa salvá-lo da destruição sem descaracterizar o espírito do mercado. Sabemos o quanto isso é difícil, mas quem sabe no futuro, em dias mais promissores do que os que vive Portugal hoje?
por: Miguel Santos em 15-01-2014
Constance,
Poético é o seu texto. E que texto. O Bulhão é um “bel canto” que vive o seu estertor. Por diversas vezes foram criadas expectativas sobre a sua reabilitação. Nuns casos mantendo a sua essência, noutros promovendo uma pífia modernidade, transformando-o numa espécie de mercado para novos-ricos. Sabe, daqueles que até ao pregão da peixeira fazem uma cirurgia estética? Triste. Felizmente não passou de uma tentativa. Agora há novos planos para lhe devolver alguma da dignidade perdida. Esperemos que finalmente se concretize, mas que não seja mais um Bulhão transformado em “San Miguel”.
por: Constance em 15-01-2014
Pois é, Miguel, o importante é que a alma do mercado não se perca. Penso no Bolhão e me lembro dos comentários de Robert Doisneau, que documentou lindamente Les Halles, em Paris, e seu desencanto quando o antigo mercado foi desmontado, com a criação do Marché de Rungis. É claro que há muitas vantagens nesses incríveis mercados modernos, mas são mais um posto de abastecimento do que um lugar onde a vida tenha espaço pra acontecer, em tudo o que há de mais banal, mais cotidiano, mas também mais essencial. Aí está, pra mim, o valor dos antigos mercados, a humanidade de que estão impregnados. Não, não podem morrer.
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